As alegrias mais simples da vida não fazem barulho.
Elas não chegam com festa, nem pedem para serem fotografadas. Elas acontecem no intervalo.
É o primeiro gole de café ainda quente, quando a casa ainda está quieta.
É tirar o sapato depois de um dia inteiro e sentir o chão frio da cozinha nos pés.
É quando chove e você já está em casa.
É a luz da tarde entrando pela janela e desenhando quadrados no sofá. É o cheiro de roupa limpa guardada há pouco. É abrir a geladeira e lembrar que tem aquela fruta que você gosta, bem gelada.
É rir de uma coisa boba com alguém que te conhece de verdade. Aquela risada que escapa, sem jeito, sem motivo grande.
É receber uma mensagem que diz só "cheguei bem".
É o abraço que dura dois segundos a mais.
É plantar alguma coisa e, dias depois, ver um verdinho teimoso apontando. É o cachorro que te espera como se você tivesse voltado de uma viagem de meses, mesmo que tenham sido só vinte minutos.
É dormir e acordar sem ter pesadelo nenhum. Só o sono cumprido.
A gente passa muito tempo esperando a grande alegria — a viagem, a conquista, o dia perfeito. E enquanto espera, a vida vai acontecendo nas miudezas.
No fundo, a simplicidade é um jeito de voltar a enxergar. Não é ter pouco. É perceber muito.
Hoje, se você puder, repara:
No pão quentinho.
Na conversa na porta.
No vento que bate quando você abre a janela do ônibus.
É disso que a felicidade é feita quando ninguém está olhando.
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