Eu tenho medo. Mas não tenho medo de ter medo.
Medo é o avesso da coragem. É por meio dele que eu alcanço algumas vitórias. Quem não tem medo corre o risco de se tornar um herói sem graça, pronto demais. A vida é bonita justamente por ser inacabada.
A metade que falta, o detalhe que ainda não alcançamos, o objetivo que ainda está pela metade. Tudo se torna mais bonito quando visto do avesso.
Os medos também. Há muitos tipos e estão por toda parte: medo de não vencer, de não chegar, de não saber, de não consequir, de subir a escada, de errar no tempero, de perder, de morrer...
O avesso do medo é o cuidado redobrado, porque quem tem medo, cuida. Não se expõe ao perigo, mas resguarda.
O medo é bom, porque não nos enche de falsa coragem. O medo nos torna reais, nos mostra quem somos, mensura o tamanho de nossas pernas...
O medo nos coloca no nosso lugar e nos prepara para o sorriso do pódio. Há medos que nos paralisam. São temores doentios.
Eles nos entorpecem, nos amarram e precisam ser vencidos. Precisam ser olhados de frente, para que voltem à condição de medo, apenas...
Medo saudável. Medo que me faz ser humano na medida certa, porque no humano bem medido, o divino prevalece. Só isso.
O resto é lição que a lousa da vida espera por ser escrita.

Texto Jornal O Dia - 24/01/2010. Pe. Fábio de Melo

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