" Ponha Deus no Inicio e ele cuidará do fim."
♥♥♥ Seja uma pessoa que valoriza a essência, não a aparência, cultive os valores mais profundos e não caia na tentação de se tornar um "super" em um mundo de estrelas sem brilho próprio. ♥♥♥ (Roberto Shinyashiki)
Fotos em slides...
Minhas Fotos.... Slideshow: Viviane’s trip from Trindade (near Goiânia, Goiás, Brasil) to 6 cities Ourinhos (near Jundiaí, Paraná), Paranapanema (near Botucatu, Estado de São Paulo), Nova Trento (near Major Gercino, Santa Catarina), Brusque (near Limeira), São Pedro do Turvo (near Marília) and Araquari (near Salvador) was created by TripAdvisor. See another Brasil slideshow. Take your travel photos and make a slideshow for free.

SER CHIQUE É UMA QUESTÃO DE ATITUDE...

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como atualmente. A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas. Assim, para ser chique é preciso muito mais que uns guarda-roupas recheados de grifes importadas. Muito mais que um belo carro Alemão. O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta.



Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes. Mas que, sem querer, atrai todos os olhares, porque tem brilho próprio. Chique mesmo é quem é discreto, não faz perguntas inoportunas, nem procura saber o que não é da sua conta. Chique mesmo é parar na faixa de pedestre e abominar a mania de jogar lixo na rua. Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e as pessoas que estão no elevador. É lembrar-se do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder nunca. Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir. Chique mesmo é olhar no olho do seu interlocutor. É "desligar o radar" quando estiverem sentados a mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção à sua companhia.



Chique mesmo é honrar a sua palavra. É ser grato a quem lhe ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios. Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, mas ficar feliz ao ser prestigiado. Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre do quanto que a vida é breve e de que vamos todos para o mesmo lugar. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se cruzar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem. Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!

do grupo Verbo no Infinito- Facebook

Os jardineiros sabem disso. Amam as flores e por isso cuidam de cada detalhe, porque sabem que não há amor fora da experiência do cuidado. A cada dia, o jardineiro perdoa as suas roseiras. Sabe identificar que a ausência de flores não significa a morte absoluta, mas o repouso do preparo. Quem não souber viver o silêncio da preparação não terá o que florir depois... Precisamos aprender isso. Olhar para aquele que nos magoou, e descobrir que as roseiras não dão flores fora do tempo, nem tampouco fora do cultivo. Se não há flores, talvez seja porque ainda não tenha chegado a hora de florir. Cada roseira tem seu estatuto, suas regras... Se não há flores, talvez seja porque até então ninguém tenha dado a atenção necessária para o cultivo daquela roseira.

Manoel Bandeira

“Em mim há uma infinidade de recortes, mas não sou arte que deve ser apreciada com pressa. Sou feita de detalhes antigos que carecem de contextualizações. Quem quiser que venha, mas antes se informe. Sou igual aos museus. Tenho horário para fechar.”

Pe. Fábio de Melo ( Mulheres de Aço e de Flores)

No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas que o vento não conseguiu levar: um estribilho antigo, um carinho no momento preciso, o folhear de um livro, o cheiro que tinha um dia o próprio vento

A PERFEIÇÃO

O que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.

(Clarice Lispector)
Aprenda receitas fáceis e cozinhe com ingredientes da sua geladeira – MSN Receitas

Sou talvez a visão que alguém sonhou
Alguém que veio ao mundo prá me ver
E que nunca na vida me encontrou
Florbela Espanca
O Dom de Voar - textos, músicas & poesias - Uma Flor Selvagem | lica.spaceblog.com.br

A complicada arte de ver por Rubem Alves


Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões - é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa - garrafa, prato, facão - era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas - e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso - porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver - eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...


O texto acima foi extraído da seção "Sinapse", jornal "Folha de S.Paulo", versão on line, publicado em 26/10/2004.


De gente que eu gosto!!



Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer e que faz. A gente que cultiva sues sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade.

Eu gosto de gente com capacidade para assumir as conseqüências de suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite, abandona os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus.

Eu gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom animo dando o melhor de si, agradecido de estar vivo, de poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca.

Eu gosto da gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. Da gente que tem tato. Gosto da gente que possui sentido de justiça. A estes chamo de meus amigos.

Eu gosto da gente que sabe a importância da alegria e a pratica. Da gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor. Da gente que nunca deixa de ser animada.

Eu gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão.
Gosto de gente fiel e persistente, que no descansa quando se trata de alcançar objetivos e idéias.

Eu gosto da gente de critério, a que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo. De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los. De gente que luta contra adversidades. Gosto de gente que busca soluções.

Eu gosto da gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereotipo social, nem como se apresentam. De gente que não julga, nem deixa que outros julguem. Gosta de gente que tem personalidade.

Eu gosto da gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração.

A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranqüilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE.

Com gente como essa, me comprometo, para o que seja, pelo resto de minha vida... já que, por tê-los junto de mim, me dou por bem retribuído.

Impossível ganhar sem saber perder.
Impossível andar sem saber cair.
Impossível acertar sem saber errar.
Impossível viver sem saber reviver.

A glória não consiste em não cair nunca, mas em levantar-se todas as vezes que seja necessário.

E ISSO É ALGO QUE MUITO POUCA GENTE TEM O PRIVILEGIO DE PODER EXPERIMENTAR.

Bem aventurados aqueles que já conseguiram receber com a mesma naturalidade o ganhar e o perder, o acerto e o erro, o triunfo e a derrota...

( Mário Benedetti )

O início de um projeto sempre é cercado de entusiasmo.
Seja em grupo ou isoladamente, a idéia nova empolga.
Pode ser uma dieta, um programa de estudos, novos hábitos de vida ou de trabalho.
No início, tudo parece fácil e proveitoso.
Mas gradualmente as dificuldades surgem e começam a impressionar.
Pouco a pouco, perde-se o entusiasmo do princípio.
Já não parece tão importante manter o padrão de comportamento eleito.
A meta almejada esfumaça-se no horizonte e a pessoa retorna ao estado anterior.
O homem é uma criatura de hábitos.
Os hábitos podem engrandecê-lo ou amesquinhá-lo, aproximá-lo do anjo ou do selvagem.
A noção das próprias possibilidades por vezes empolga um ser humano.
Animado pela idéia de ser melhor, ele traça metas de equilíbrio, paz e progresso.
Para essas metas serem atingidas é necessário constância.
É nas dificuldades que o caráter se refina e se fortalece.
Quem desiste ao primeiro empecilho jamais atinge objetivo algum.
Perante os embates do mundo, importa perseverar no padrão de comportamento considerado ideal.
Não é conveniente mudar de atitude apenas para acompanhar a maioria.
Os grandes atletas, pensadores e inventores não revelaram sua grandeza de forma repentina.
Sempre é necessário muito estudo, preparação e esforço para a conquista de uma meta.
A exímia bailarina impressiona pela beleza e graça com que executa sua arte.
Mas apenas ela sabe o que isso lhe custou em termos de disciplina, renúncia e dores.
Se você tem objetivos, há apenas um modo de atingi-los: trabalhando duramente e com constância.
Sem disciplina, você flutuará ao sabor dos acontecimentos. O que lhe parecer mais fácil você fará.
Seus desejos mais profundos não passarão de sonhos, sem qualquer substância.
A aspiração de hoje será abandonada amanhã.
A dieta iniciada será esquecida.
O projeto de trabalho ou de estudo seguirá o mesmo destino.
De fantasia em fantasia, de sonho em sonho, sua vida passará.
E você será uma contínua promessa não realizada.
Para que isso não aconteça, analise o seu proceder.
Se constatar leviandade ou instabilidade em seu agir, dedique-se a combater tais características.
Estabeleça metas e esforce-se em alcançá-las.
Se quer ser instruído, aprender uma língua, fazer um curso, estude com firmeza.
Se deseja adquirir uma virtude, pratique-a a todo instante.
Caso queira emagrecer ou cuidar de sua saúde, modifique seus hábitos, mas o faça com convicção.
Não se impressione com obstáculos, pois eles sempre existirão.
Não se permita titubear e voltar atrás.
Lembre-se do entusiasmo do início.
Mantenha-se firme, em respeito ao seu infinito potencial.
Visualize o prazer que a vitória proporcionará.
A dificuldade de hoje é a facilidade de amanhã.
Apenas a constância poderá conduzi-lo ao resultado almejado.
Pense nisso e persevere!

Este texto foi publicado no blog Querido leitor de Rosana Hermann.

Um comentário que precisa virar post
O querido Tom Taborda empresta um pouco de sua lucidez e faz um comentário tão necessário que virou um post. Outro dia comentei sobre a dificuldade de caminhar entre pessoas que impedem a passagem das outra e fui, na opinião dele, equivocada. Talvez eu tenha sido romantica demais, benevolente ao extremo.
Hoje, chegando no trabalho de carro, deparei-me com um grupo de umas oito pessoas paradas na porta da entrada do estacionamento, fechando totalmente a entrada dos carros que, como eu, viravam à direita numa rua de mão única. E porta de estacionamento é lugar de conversar? Quando pedi licença pela janela do carro, ainda fizeram cara feia pra mim.
Por causa desse episódio e pela raiva incomensurável que sinto por pessoas que PARAM no alto da escada rolante fazendo com que todas as pessoas que estão chegando se aglomerem de forma absurda, publico a visão do Tom. Atente para a definição de ID-IOTA.

Oi Rosana, apesar de bem-intencionado seu post, ele é equivocado: acho indesculpável, egoísta, incivilizado e exasperante este alheiamento das pessoas com o mundo e as demais pessoas ao redor. Quem age assim não respeita ninguém e, portanto, não merece o menor respeito. Sei que não fazem 'por mal', mas por falta de educação mesmo (não foram educados para prestar atenção nos outros; "menino, sai do caminho!")
Muito tempo atrás, sorri cumplicemente com o blog de uma brasileira morando em NY que dava umas dicas para turistas brasucas sem-noção. Para começar, a primeira delas era:
- Não pare no meio do caminho! Não pare na passagem! Não pare na porta! Não pare na calçada (apropriadamente, ela é chamada de sidewalk, onde as pessoas caminham)! O novaiorquino atropela sem piedade um idiota* que pára no meio do caminho. Enfim: qdo precisar parar, saia do caminho!
E garanto que a cabeça de um novaiorquino fervilha de "pensamentos próprios" e está igualmente "vivendo a vida, seguindo seus desejos". Mas isso não resulta em estarem perdidos em seus pensamentos, alheios aos demais. Outro dia, num shopping, adiante na passagem, tinha um garoto mergulhado num video-game portátil; qual não foi minha surpresa quando ele, sem tirar os olhos do joguinho, com a visão periférica ativada, percebeu minha aproximação e saiu do caminho. Olhei novamente: é claro que, pela raridade do gesto, o garoto era um 'japa'.
Preste atenção na cena de abertura do belíssimo "Asas do Desejo": filmado com tele-objetiva, uma garotinha atravessando a rua pára no meio da faixa de pedestres olhando para cima (ela vira o anjo no alto da catedral). Logo em seguida, ela é atropelada por duas indignadas senhoras alemãs bufando, "ondiéquijásseviu parar no meio do caminho?"
Nos países civilizados, quem está parado sempre utiliza o corrimão direito da escada-rolante, deixando o lado esquerdo livre para quem está com pressa. Aqui não apenas estão todos abolotados, como também param na saída da escada-rolante para então pensar qual o próximo passo, alheios aos outros que vêm vindo, inexoravelmente.
Considero das coisas mais penosas aqui caminhar no meio das pessoas. Negociar o trajeto no meio deste bando de ruminantes permanentemente abestalhados é extremamente exaustivo.
Desculpe-me mas pq temos que respeitar quem não respeita os outros? Sim, claro que dá para julgar os outros, pelo modo como agem em público; totalmente irrelevante saber o que cada um está pensando, passando, sentindo. Mas apenas como agem.
Sem dúvida, e o quê aqui defendo: o melhor é sempre respeitar o outro. O problema, no caso, é que para estas pessoas justamente não existe o outro, ergo não respeitam ninguém, pois não existe ninguém além das limitadas fronteiras do 'seu planeta' particular.
Portanto, só nos resta: COM LICENÇA, SAIA DO CAMINHO!
*Idiota: adoro a etimologia desta palavra, vem do grego, idiotes, o 'indivíduo particular', em si mesmo, em contraposição aquele que desfruta da Civilização Grega.

Um beijo, um browse, um aperto de mouse da @rosana

A vida é muito bonita,
basta um beijo
e a delicada engrenagem movimenta-se,
uma necessidade cósmica nos protege.”
Adélia Prado
Luz das estrelas...

´ Não me prendo a nada que me defina! Sou companhia mas posso ser solidão... tranquilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio! Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer. Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... ou toca, ou não toca!´ Clarice Lispector.
...

“Sou tão misteriosa que não me entendo.”

“Através de meus graves erros — que um dia eu talvez os possa mencionar sem me vangloriar deles — é que cheguei a poder amar. Até esta glorificação: eu amo o Nada. A consciência de minha permanente queda me leva ao amor do Nada. E desta queda é que começo a fazer minha vida. Com pedras ruins levanto o horror, e com horror eu amo. Não sei o que fazer de mim, já nascida, senão isto: Tu, Deus, que eu amo como quem cai no nada.”

Clarice Lispector

Adélia Prado


Com licença poética


Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível, ainda que se apresentem dezenas de fatores a demonstrarem o contrário.(Fernando Pessoa)

E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.

Clarice lispector