MAIS OU MENOS

Hoje em dia a cultura do “mais ou menos” está crescendo entre nós. Podemos observar isso quando perguntamos a alguém como vai você? E a pessoa responde: mais ou menos! Como vai sua esposa? Mais ou menos! Como vai seu marido? Mais ou menos! Como vai a faculdade? Mais ou menos! Como vai o trabalho? Mais ou menos!

A gente vai ficando assim porque aos poucos a gente vai se acostumando a ser mais ou menos porque a preguiça de ser mais ou menos toma conta de nós.

A coisa pior que existe nesse mundo é a gente amar mais ou menos. Por exemplo: Quem paquera mais ou menos, quem ama mais ou menos, quem casa mais ou menos, vive mais ou menos e depois vai embora quando menos você espera.

Gente que vive mais ou menos é uma praga no mundo de hoje. E a gente precisa tomar conta pra essa praga não tomar conta do nosso coração. Porque a gente começa se jogar pra baixo e daqui a pouco tudo a gente faz na perspectiva do mais ou menos.

Você não merece ser mais ou menos. Merece? Você nasceu pra ser mais ou menos? Não!

Então você tem que se empenhar ao máximo pra que você possa extrair no ser humano todo o potencial que você traz dentro de você, porque não você corre o risco de viver igual ao rapazinho mais ou menos que é o personagem dessa música que cantei.

A gente até canta sorrindo. Mas se prestarmos atenção nessa letra, não podemos sorrir: “eu tenho andando tão sozinho ultimamente, que nem vejo em minha frente, nada que me dê prazer. E vejo cada vez mais longe a felicidade, vejo em minha mocidade, tanto sonho perecer.”

É mais ou menos mesmo! Só que o autor teve uma idéia brilhante fez a estrofe mais ou menos, mas o refrão cheio de esperança. Onde dá para sorrir: “eu queria ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde, pra plantar e pra colher. Ter uma casinha branca de varanda, com um quintal e uma janela, só pra ver o sol nascer.”

Aí é que fica interessante a história, sabe porque? O que faz o homem, essa criatura sair da cultura mais ou menos não são grandes projetos. Nunca ninguém veio chorar para mim, dizendo: Padre, eu nunca tive um iate, minha vida não dá certo! Mas já vi muita gente vir chorar no meu ombro por questões tão menores. Padre a quanto tempo eu não recebo um abraço do meu pai... Há quanto tempo eu não consigo olhar nos olhos dele... Quanto tempo eu não sei o que é felicidade dentro de casa... Há quanto tempo eu não sei o que é ser amado de verdade, por alguém que tenha me escolhido e me elegido e me tratado como se eu fosse o único nesse mundo. Há quanto tempo.

E aí a gente começa a perceber que a gente vai se tornando mais ou menos porque colocamos atenção nas grandes coisas e esquecemos daquilo que é o menor de todo o dia. E as vezes nós vamos perdendo o poder de perceber aqueles que estão ao nosso lado. A gente vai perdendo o poder de conquistar o que estão do nosso lado. O verbo chave de toda existência deve ser vc conquistar. Porque ou vc conquista todos os dias ou você perde.

Nas nossas relações humanas não são garantias que nós sejamos um para o outro para a vida inteira, não!

Quem disse que esse menino que saiu de sua barriga é seu filho? Ou você conquista ele todos os dias, ou daqui a pouco ele se transforma num parente seu. Ou você conquista esse irmão todos os dias, ou daqui a pouco são apenas conhecidos, nasceram da mesma barriga, mas porque perderam a oportunidade de se conquistarem, ou porque vocês foram irmãos mais ou menos, ou porque você foi um pai, uma mãe mais ou menos, a gente deixou de cuidar daquilo que era o essencial dentro da nossa casa.

A gente deixou de perceber o que o outro estava vivendo, o que estava sentindo...

Cordas invisíveis são colocadas todos os dias nos pescoços de quem estão do nosso lado e a gente não está percebendo. E quando a gente menos imagina elas estão penduradas e sem vida. Porque faltou a ocasião de nós olharmos nos olhos e de perceber que existia uma infelicidade, que foi sendo juntada a outra e a outra e aí o sentido da vida foi embora.

As vezes o filho está sentado do outro lado da mesa, mas é mais fácil pegar um avião e ir até Manaus e voltar do que atravessar a pequena distância da mesa. A gente não está acostumado a andar pequenas distâncias. Porque nós estamos acostumados a a viver com pressa.

A gente deixou de olhar as pessoas que amamos com calma, a gente olha com pressa o tempo todo. E quem olha com pressa não percebe a corda invisível que está sendo colocada no pescoço de quem a gente ama e depois quando eles morrem, quando eles vão embora de maneira muito trágica, a gente se pergunta:

Como é que eu não percebi antes? Com é que eu não fiz algo por ele?

Porque você estava olhando com pressa demais. Você estava indo atrás de grandes coisas. Você estava investindo seu dinheiro e seu tempo em construção de casas, achando que um lar, é uma junção de paredes onde as pessoas se escondem ali dentro...

Não! Casa antes de ser parede, é construção humana. Você pode ser o homem mais bem sucedido na história da economia, mas se você não conseguir colocar um sorriso nos filhos que você gera, você é um incompetente!

E não adianta você se vangloriar da conta bancária que você tem, se na vida de seus filhos você não deixou uma riqueza maior que dinheiro não pode comprar e que a vida não pode nos fazer esquecer.

E geralmente pessoas que são ricas de afeto, pessoas que não foram economizadas na capacidade de amar dentro de casa, dificilmente penduram-se numa corda. Muitas vezes um filho que se mata, é um atestado da nossa incapacidade de sermos amigos, um atestado na nossa incapacidade de sermos pai e mãe, da incapacidade de sermos irmãos.

Por isso, olhe bem para quem está do seu lado. Ame como se hoje fosse o último dia da sua vida. Porque essa é a maior responsabilidade que nós temos.

Sua casa será mais feliz, a medida em que você tiver tempo para olhar aqueles que você ama. E se você perceber que está sendo colocada cordas invisíveis, ajude a retirar, antes que essa corda, vire de verdade e não se tenha mais tempo de fazer nada.

Pe. Fábio de Melo.

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