Este texto foi publicado no blog Querido leitor de Rosana Hermann.

Um comentário que precisa virar post
O querido Tom Taborda empresta um pouco de sua lucidez e faz um comentário tão necessário que virou um post. Outro dia comentei sobre a dificuldade de caminhar entre pessoas que impedem a passagem das outra e fui, na opinião dele, equivocada. Talvez eu tenha sido romantica demais, benevolente ao extremo.
Hoje, chegando no trabalho de carro, deparei-me com um grupo de umas oito pessoas paradas na porta da entrada do estacionamento, fechando totalmente a entrada dos carros que, como eu, viravam à direita numa rua de mão única. E porta de estacionamento é lugar de conversar? Quando pedi licença pela janela do carro, ainda fizeram cara feia pra mim.
Por causa desse episódio e pela raiva incomensurável que sinto por pessoas que PARAM no alto da escada rolante fazendo com que todas as pessoas que estão chegando se aglomerem de forma absurda, publico a visão do Tom. Atente para a definição de ID-IOTA.

Oi Rosana, apesar de bem-intencionado seu post, ele é equivocado: acho indesculpável, egoísta, incivilizado e exasperante este alheiamento das pessoas com o mundo e as demais pessoas ao redor. Quem age assim não respeita ninguém e, portanto, não merece o menor respeito. Sei que não fazem 'por mal', mas por falta de educação mesmo (não foram educados para prestar atenção nos outros; "menino, sai do caminho!")
Muito tempo atrás, sorri cumplicemente com o blog de uma brasileira morando em NY que dava umas dicas para turistas brasucas sem-noção. Para começar, a primeira delas era:
- Não pare no meio do caminho! Não pare na passagem! Não pare na porta! Não pare na calçada (apropriadamente, ela é chamada de sidewalk, onde as pessoas caminham)! O novaiorquino atropela sem piedade um idiota* que pára no meio do caminho. Enfim: qdo precisar parar, saia do caminho!
E garanto que a cabeça de um novaiorquino fervilha de "pensamentos próprios" e está igualmente "vivendo a vida, seguindo seus desejos". Mas isso não resulta em estarem perdidos em seus pensamentos, alheios aos demais. Outro dia, num shopping, adiante na passagem, tinha um garoto mergulhado num video-game portátil; qual não foi minha surpresa quando ele, sem tirar os olhos do joguinho, com a visão periférica ativada, percebeu minha aproximação e saiu do caminho. Olhei novamente: é claro que, pela raridade do gesto, o garoto era um 'japa'.
Preste atenção na cena de abertura do belíssimo "Asas do Desejo": filmado com tele-objetiva, uma garotinha atravessando a rua pára no meio da faixa de pedestres olhando para cima (ela vira o anjo no alto da catedral). Logo em seguida, ela é atropelada por duas indignadas senhoras alemãs bufando, "ondiéquijásseviu parar no meio do caminho?"
Nos países civilizados, quem está parado sempre utiliza o corrimão direito da escada-rolante, deixando o lado esquerdo livre para quem está com pressa. Aqui não apenas estão todos abolotados, como também param na saída da escada-rolante para então pensar qual o próximo passo, alheios aos outros que vêm vindo, inexoravelmente.
Considero das coisas mais penosas aqui caminhar no meio das pessoas. Negociar o trajeto no meio deste bando de ruminantes permanentemente abestalhados é extremamente exaustivo.
Desculpe-me mas pq temos que respeitar quem não respeita os outros? Sim, claro que dá para julgar os outros, pelo modo como agem em público; totalmente irrelevante saber o que cada um está pensando, passando, sentindo. Mas apenas como agem.
Sem dúvida, e o quê aqui defendo: o melhor é sempre respeitar o outro. O problema, no caso, é que para estas pessoas justamente não existe o outro, ergo não respeitam ninguém, pois não existe ninguém além das limitadas fronteiras do 'seu planeta' particular.
Portanto, só nos resta: COM LICENÇA, SAIA DO CAMINHO!
*Idiota: adoro a etimologia desta palavra, vem do grego, idiotes, o 'indivíduo particular', em si mesmo, em contraposição aquele que desfruta da Civilização Grega.

Um beijo, um browse, um aperto de mouse da @rosana

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