Gosto dos dias de vento.

Sabes, quando temos o coração acordado, até o vento pode conversar conosco. E dizer-nos muitas coisas importantes...
A mim, que em frente à janela do meu quarto tenho umas quantas árvores, o vento fala-me sempre da importância das raízes.
Às vezes, parece que vivemos sem chegar nunca a lançar raízes profundas.

Ter raiz significa encontrar um sentido verdadeiramente válido para viver, um sentido daqueles que as primeiras invernias não derrubam, perene, mais forte que a morte, como o amor.

E lá fora, o vento continua a segredar-me tudo isto enquanto embala e empurra as árvores do jardim: vão-se as folhas, caem alguns frutos já tardios, partem-se alguns galhos mais frágeis, mas a árvore permanece, porque está enraizada.
E assim o vento até a vai limpando...
E o vento, assim, até vai espalhando sementes com as suas invisíveis mãos.

Estás a ver? Quando há uma raiz profunda, o vento forte até se torna para as árvores instrumento de purificação e fecundidade.
Temos que lançar raízes, assumir motivos válidos para viver e enfrentar todos os ventos, olhos nos olhos.

E no subsolo do nosso coração, temos que aprender dia após dia, que para os nossos corações enraizados não há problemas. Nunca há problemas, apenas desafios. Sim, transformar os problemas a chorar em desafios a vencer, esse é o segredo dos corações bem enraizados, para domar todos os ventos.
Para isto, a aposta primeira não se faz nas folhas, nos frutos ou nos ramos débeis do nosso ser; tudo começa a jogar-se nas raízes, no sentido, nos critérios.

Olha, o vento a dançar por entre as árvores do jardim está ainda a dizer-me outra coisa: Até na morte as raízes são sinais de uma grande dignidade.

Sabes: É que uma árvore morre sempre de pé…

SHALOM!
(Por Rui Santiago)
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" Tua Luz brilha "

Tua luz brilha, mesmo quando não a queres, mesmo quando não a vês.
Poderás esconder-te de ti mesmo, apagando todas as tuas velas, todas as tuas lamparinas; cobrindo com véus as tuas estrelas azuis, nublando com nuvens pesadas o teu céu para que nele nem a lua e nem o sol possam ser vistos...
Mas quando te distraíres, por segundos, ao som de uma canção que invoca a luz do amor, quando te distraíres olhando para o mar ou brincando sem querer com os cata-ventos da tua memória, saberás que brilhaste...
E, se neste momento, puderes soltar tuas amarras e, feito um pássaro, voar pelo teu universo interior, verás quão luminoso é o teu ser.
Sentirás as mãos amorosas da existência guiando teu coração e ensinando-te a amar...
Saberás não estar sozinho, saberás ser amado e agraciado pelo amor do teu Criador.
E tudo isso porque deixaste, sem querer, a tua luz iluminar, o teu ser respirar a vida que brota alegre a cada momento em que te decides por ti mesmo.
Lembra, Deus abençoa e te sorri por isso.